Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Laranja podre

De família humilde, morena, olhinhos verdes espertos, a menina cresceu alegre e extrovertida. Adolescente, o jeito de moleca acentuado, passou a dar trabalho em casa quando começou a namorar. Nada de se meter com drogas ou bandidos, que ela não era chegada a isso. O pai e a mãe, ignorantes, não sabiam como lidar com a filha, considerada terrível.

Até que um dia, ele resolveu dar um jeito definitivo na situação. Empurrou com o pé, para junto da filha, uma caixa de laranja. A menina, bonita mas franzina, abaixou-se e cumpriu a ordem de procurar a fruta podre. Quando achou entregou-a ao pai, que tinha a frase na ponta da língua. "Tá vendo esta laranja bichada, estragada? É você no meio das minhas outras filhas. Não quero isso pra elas. Pode pegar suas roupas e ir embora!"

Aos 17 anos, a pequena - não media nem um metro e meio - saiu de casa no Interior de Pernambuco para nunca mais voltar. Caiu na vida, como gosta de dizer. Descolada e inteligente, veio para São Paulo e conseguiu trabalho em casa de família. Sempre enrabichada por algum homem, foi tendo filhos, cada um de um pai diferente.

Educou as crianças direitinho e, na medida do possível, nunca deixou que faltasse nada para eles. Aos primeiros, deu os nomes de Fernando e Fernanda, homenagem à família de um dos primeiros patrões. Mudou muito de emprego, até que sossegou o facho. As crianças cresceram e foi então que passou a ter problemas, principalmente com uma delas, muito parecida com a mãe, namoradeira também.

Depois de trabalhar 15 anos com minha mãe, hoje ela está na minha casa e, quando tomamos café da manhã, ela nos conta pedacinhos de sua história. Cada dia um trecho. A passagem da caixa de laranja deixou meus olhos cheios de lágrimas e me fez entender algumas coisas da vida. O por que de algumas pessoas terem determinados comportamentos. Com um pai daqueles, ela até que se virou bem. Sempre de bom-humor, gosta de cuidar da gente e contar casos. Por isso relevo mentirinhas que ela solta de vez em quando. Danada que é, tem uma imaginação e tanto para criar.

Consumista, um de seus prazeres prediletos é freqüentar a lojinha de R$ 1,99 perto da Teodoro Sampaio. No dia seguinte ao pagamento, sempre aparece de roupa ou celular novos. A Sandra até que tenta ensiná-la a guardar dinheiro, mas não adianta. Faz cara de sapeca e esconde a fatura do cartão de crédito. Vez ou outra tem uma conta chegando pelo correio. Lá em casa, nosso dia-a-dia é divertido, mesmo quando ela arruma tudo, guarda no lugar que bem entende e a gente não acha nada. Na minha festa de aniversário, foi o centro das atenções quando comandou uma coreografia de dance music. Quem estava lá sabe do que estou falando. Grande pequena Nice!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Cena de Teatro 2009 | Coletivos Teatrais


clique na imagem para ampliar
(Adriana Balsanelli)

Domingo, 28 de Junho de 2009

São-paulina inconformada

Ainda não me conformei com a saída do técnico Muricy Ramalho do time do São Paulo. Tricampeão brasileiro, Muricy não merecia. Nem ele, nem a torcida, nem muitos dos jogadores. A diretoria do clube não entende mesmo de futebol e nem respeita o profissional que Muricy é. Deixa só ele assumir o comando de outro time e ser tetra. Assim os cartolas do São Paulo vão aprender. E pau nos intelectuais, ou melhor, em alguns pseudo-intelectuais, que dizem não entender por que um ser humano gosta de futebol.
(Fernanda Teixeira)

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Amigos, aguentem firme!

Sacanagem do Michael Jackson morrer assim. Acho que ele até já vinha me avisando devagarinho que ia morrer, mas morrer mesmo, assim, deixando minha adolescência órfã? Sinceramente, eu acho sacanagem. Super da minha geração. Não deveria ser assim.

Ainda tenho os long plays (para quem não sabe, LP, filho do 78 rotações e pai do CD, deve ter tido alguma coisa aí no meio) da Família Jackson Five,Thriller, Bad... Já perdi ídolos. Muitos... mas quando Elis morreu, eu era completamente adolescente e me dividia entre o Trem Azul, querendo ser mais interessante do que eu realmente era, e o boy, aquele BAD, que hoje se foi.

Quando Cazuza morreu, eu era tão pós-adolescente quanto ele. Chorei, mas era de igual para igual. Os mesmos medos, os mesmos segredos de liquidificador, sem nunca ter entendido quais eram os segredos de liquidificador. Só para citar alguns ídolos que me deixaram à deriva.

Agora, o que faço quando constado que o tempo é implacável porque Michael, que me acompanhou da infância à vida pra lá de adulta, esfrega na minha cara que o tempo faz os dias voarem e que tenho que me cuidar, porque senão a Velha Senhora acorda.

Amanhã vou ligar pra minha turma lá do colégio. Eles vão me entender, porque devem estar lá, congelados no tempo, dançando Bem, sem ter noção de que um dia o cantor-mirim-prodígio-negro não só deixaria de ser negro como morreu branco. E qual a graça, qual a vantagem? Por quê? Pra quem? Será que não tinha ninguém muito próximo pra dizer que ele era amado incondicionalmente, independente da cor, credo, raça? Que era amado porque era um ídolo, acima de tudo, acima dos horrores cometidos contra pequenos anjos, com pais não tão anjos assim. Ah, quem sou eu pra julgar a conduta humana. Não estou aqui por isso, estou aqui pra dizer que descobri hoje, vejam só, justo hoje, que sou falível, que não sou imune à morte. Só que corro mais, muito mais rápido que a Velha Senhora e ela vai ter que suar muito pra me fazer participar de Thriller.

Vá em Paz, rapaz, que tantas alegrias me trouxe em baladas inconsequentes. Obrigada por entreter-me numa época em que, se eu tivesse escolhido seguir os passos de outros ídolos que me fascinavam pela contundência das letras e do pesar da história, como Janis Joplin, Jimi Hendrix, eu talvez não estivesse aqui hoje celebrando sua vida e chorando sua morte. Vá em Paz. John Lennon vai estar esperando você, com flores nas mãos, devolver pra ele os direitos autorais de Let it be.

Ah, por favor Michael, dê um abraço bem apertado na Farrah Fawcett, a Deusa Loira das Panteras que se foi num dia ruim, pois até nas minhas linhas dei menos pra ela. A vocês, amigos queridos, um abraço em cada um e obrigada por aguentarem firmes.
Sempre, Forte.

(Célia Forte - Na Carona do Dudu)

*************

A breve vida dos ícones do rock

Célia, my love, nossa geração viu muitos de seus ídolos desaparecerem cedo demais, deixando um rombo em corações e mentes. Suicidaram-se, morreram de Aids, de overdose, assassinados, loucos com a barra pesada do sucesso. Lembro do baque quando recebi a notícia de John Lennon, morto quando eu tinha 20 anos e trabalhava no Canja, jornal de música de Sergio de Souza e José Trajano. Olhei pro céu, a perna bambeou, passou um tempo até conseguir entrar na redação.

Na época da Elis Regina, trabalhava na Rádio Mulher, fiquei com o ouvido grudado no rádio para saber de todos os detalhes. A maior cantora do País também não agüentou a pressão e cheirou todas numa noite só. Outro golpe foi quando Cazuza se foi, em 1990, quando eu já estava entrando nos 30. Recebi a notícia pelo jornal da TV, no Rio, soco no estômago. Os outros golpes foram Renato Russo, que partiria seis anos depois, e Cássia Eller, em 2002. Não dá pra esquecer do Raul Seixas, que até hoje tem uma das mais apaixonadas legiões de fãs do país. Era alcoólatra e morreu em decorrência dessa doença, agravada pela diabete, em 1989, aos 44 anos.

Antes, outros "heróis", para usar palavras que Cazuza gostava, já tinham pegado o bilhete azul - Jim Morison, líder do The Doors, morreu na década de 70. Na virada dos anos 70 para os 80, outros artistas encerraram bruscamente suas carreiras - o baixista do Sex Pistols, Sid Vicious, não pegou a onda e embarcou numa overdose de heroína em Nova York aos 21. Um ano depois, em 1980, o baterista do Led Zeppelin, John Bonhan, foi encontrado morto aos 32 anos. Kurt Cobain, líder do Nirvana, grupo de vida curta mas importantes na história do rock, se matou em abril de 1994.

Voltando a Michael Jackson, quando ele cantava Ben eu ainda não tinha sofrido sequer uma dor de amor e cabulava aula pela rua Pamplona, com aquela saia xadrez, uniforme do Colégio Assunção. Ele acompanhou minha adolescência e juventude. Fui vê-lo no Morumbi, em 1993, megashow, megahisteria no estádio para ver Maicô.

Escândalos, álcool, drogas e sexo na era da Aids sempre andaram de mãos dadas com o rock'n'roll. Para alguns, o doce gosto da transgressão era mais ácido que usar um macacão de jeans surrado e fumar um cigarrinho escondido na lanchonete da esquina. Viver intensa e freneticamente e morrer jovem. Será esta a máxima de ícones do pop ou do rock?
(Fernanda Teixeira)

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

O circo é pop

Meu primeiro post neste blog foi para falar sobre o lançamento do livro Circo Teatro, da Ermínia Silva, só para introduzir um pouco da minha admiração por essa arte. O meu interesse sobre o assunto aumentou por conta do trabalho com a Cia Estável de Teatro e seu belíssimo espetáculo O Auto do Circo. De lá pra cá, já trabalhamos com a Cooperativa Paulista de Circo, Panorama do Circo, Palhaçaria e outros projetos que permeiam o universo circense. Agora tivemos o privilégio de divulgar o CNAC - Centre National des Arts du Cirque da França - em sua rápida passagem por São Paulo.

O espetáculo 20e Première fez cinco apresentações no Memorial da América Latina e acompanhei de perto a seriedade, o compromisso e o talento de jovens artista franceses que acabaram de se formar numa das principais escolas de circo do mundo. O espetáculo é inspirado em lembranças da infância e do circo de antigamente, confrontados com o imaginário contemporâneo. Nele, se utilizam múltiplas linguagens como a música, coreografia, jogo, disciplinas circenses com a imagem narrativa do cinema.

Como esperávamos desde nossa primeira reunião para traçar as estratégias de assessoria de imprensa do projeto, o evento foi um prato cheio para as emissoras de televisão. Separei uma matéria feita pelo programa Metrópolis, TV Cultura, para mostrar aqui, pois ela sintetiza um pouco do trabalho do CNAC. A melhor notícia, que deixei para contar no final, é que o CNAC vai abrir uma escola de circo no Brasil até o ano que vem. Espero que, assim como outras escolas de circo, o CNAC também ajude a formar nossos artistas e novas linguagens, com mais opções de espetáculos para o nosso respeitável público.




Para ver mais: www.youtube.com/arteplural

(Adriana Balsanelli)

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Oi Dudu,

Sou Bolota. Nasci em 23 de abril de 2009. Touro, acho. Tenho perebas na pele, que mamãe já está tratando. Ainda não posso te conhecer porque faltam as vacinas. Uma pena. Mamy diz que sou baguncenta. Adoro bagunça. Já tenho cama, cobertor de ursinho e três brinquedos. Mas gosto mesmo é de roer cadarços. Pela primeira vez, ontem dormi sozinha na cozinha. Nem foi tão ruim, porque mamãe às vezes ronca. Foi bem bom, por sinal. Ainda erro xixi e cocô. Muito complicada esta história de jornal. Também minha memória é curta. Quando penso em ir ao jornal, escapou. Sigam-me no twitter. https://twitter/bolotice.
(Marcia Pinheiro Na Carona do Dudu)

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Projeto Vitrine Cultural no Metrópolis



(Adriana Balsanelli)